Uma escolha de quem escreve

Escrever é um ato de liberdade. Uma ferramenta poderosa para registrar memórias, colocar para fora sentimentos e organizar nossos pensamentos. Quando escrevemos, é como se colocássemos para fora, muitas vezes, mágoas, recordações tristes e momentos de felicidade. Escrever é mágico. Ao mesmo tempo em que nossas mãos vão deslizando pelo papel ou pelo teclado, vivenciamos aquilo que escrevemos.

O tempo é um companheiro da escrita. Ele nos leva ao passado, ao presente e nos faz pensar, imaginar e desejar como será o futuro.

Se as pessoas entendessem que, por meio da escrita, poderiam confessar seus medos e suas inseguranças, também poderiam pedir desculpas. Mas, acima de tudo, poderiam dizer o quanto amam alguém. Há tanta gente calada que poderia falar por meio da escrita. Há tantas histórias bonitas e interessantes que poderíamos conhecer. Escrever não é apenas uma forma de comunicação; também contribui para o desenvolvimento cognitivo e emocional.

Quando escrevemos, somos obrigados a desacelerar. Ao pararmos para pensar no que escreveremos, o fluxo das ideias se organiza, nosso raciocínio se estrutura e passamos a construir um pensamento com início, meio e fim — ou, às vezes, sem fim. Também passamos a compreender melhor quem somos e como estão nossos sentimentos e emoções.

A escolha de quem escreve está associada a um registro duradouro, capaz de atravessar gerações e se transformar em um legado que pode deixar grandes lições. Os benefícios desse exercício mental vêm sendo amplamente debatidos por especialistas, que afirmam que desenvolver essa habilidade melhora a capacidade de argumentação, reflexão e expressão.

As novas tecnologias afastaram um pouco as pessoas. O contato físico, muitas vezes, foi substituído pelas conversas por computador ou celular. A escrita, porém, aproxima, porque acessa camadas mais profundas de significado e ajuda a compreender melhor os próprios sentimentos.

Quando foi a última vez que você escreveu? Sentou, deixou o tempo passar mais devagar e começou a viajar por meio da escrita? Reviveu sua infância, recordou seus pais, um grande amor, os filhos quando eram pequenos, a casa da fazenda, o banho de rio, o primeiro beijo, a primeira paixão, a primeira conquista? Recordou coisas que não voltam mais, como a saudade deixada por quem já partiu, e também a alegria daqueles que estão chegando?

Por meio da escrita, tudo isso se torna concreto e permanece registrado. Sempre que sentirmos necessidade de recordar, basta ler novamente. Escrever é escolher o caminho da descoberta.

“Sou uma mulher que escreve porque, para mim, escrever é como respirar. Faço para sobreviver.” — Clarice Lispector

Essa frase diz muito. Nós, mulheres, temos a necessidade de expressar nossos sentimentos, e isso pode ser feito por meio da escrita. Afinal, se escrever é como respirar, não temos outra escolha senão escrever.

Boas escritas!

Tânia Maria da Silva

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