Ativistas da ABAYOMI PB participam de encontro avaliativo pós- Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, no Conde


Nos dias 24 e 25 de abril, as ativistas da ABAYOMI PB reuniram-se a mulheres negras de diferentes regiões da Paraíba para um momento decisivo: avaliar o processo de mobilização da Paraíba na Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em 25 de novembro de 2025 em Brasília. O encontro, marcado por escuta ativa, partilha de experiências e construção coletiva, reuniu representantes de 11 municípios e reafirmou a força organizativa do movimento de mulheres negras no estado.

A atividade foi espaço estratégico para que as participantes revisitassem os significados da Marcha, destacando sua importância e potência como marco de mobilização, visibilidade e denúncia das desigualdades raciais e de gênero. Ao mesmo tempo, o encontro apontou caminhos concretos para o fortalecimento das ações futuras, com foco na ampliação da incidência política nos territórios.

A diversidade das mulheres presentes evidenciou o caráter plural do movimento, que articula diferentes vivências, trajetórias e agendas, mas se mantém unificado na luta por reparação histórica, justiça social e bem viver. Essa construção coletiva tem sido fundamental para consolidar uma atuação política enraizada nas realidades locais, que dialoga com pautas nacionais.

Entre os principais encaminhamentos, destacam-se a definição de estratégias para fortalecer a organização nos municípios, ampliar o diálogo com o poder público e intensificar ações de enfrentamento ao racismo e às violências que atingem mulheres negras na Paraíba.

A coordenadora da ABAYOMI PB, Durvalina Rodrigues, lembrou que o estado se destaca ao realizar uma avaliação pós-Marcha de maneira presencial, envolvendo diversos municípios, inclusive do sertão da Paraíba. “A Paraíba sai na frente, e numa perspetiva política isso é fundamental para o fortalecimento dos territórios e da rearticulação dos movimentos”, destacou. Durvalina reconheceu que o encontro também reforçou a importância da memória como ferramenta política, reconhecendo a Marcha como parte de um processo contínuo de luta.

Representando a Comissão Organizativa, Hildevânia Macedo fez referência às palavras da jornalista Rosane Borges, quando afirmou que “as mulheres negras da Paraíba gestaram o impossível interiorizando as ações para levar mulheres negras de vários territórios do estado para a Marcha”. Para ela, o momento de avaliação reafirma que a Marcha não se encerrou no ato público que levou mais de 300 mil mulheres negras às ruas de Brasília em 2025.

“A Marcha representa resistência de continuarmos, e nós na Paraíba, irmanadas a tantas mulheres no Brasil, com todas as suas pluralidades e potências, enxergamos a construção coletiva de um futuro que respeita nossas existências”, frisou Hildevânia.

Nesse processo, o papel da ABAYOMI PB foi decisivo para o sucesso da mobilização no estado. A Coletiva atuou de forma estratégica tanto na base quanto na articulação geral, garantindo apoio logístico fundamental para viabilizar a ida de mulheres negras a Brasília, além de impulsionar uma potente campanha de comunicação que ampliou o alcance político da Marcha em diferentes territórios. Somam-se a isso o apoio financeiro e a articulação para a realização de oficinas, rodas de diálogo e palestras em Quilombos, Terreiros, escolas e espaços públicos, ações que fortaleceram a consciência política, deram visibilidade à Marcha e contribuíram diretamente para a construção coletiva desse marco histórico.

Para as participantes do encontro, a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver se desdobra em articulações permanentes e na ocupação de espaços de decisão. Nesse sentido, o momento de avaliação se configura como um passo essencial para consolidar a incidência política do movimento de mulheres negras na Paraíba, fortalecendo sua capacidade de mobilização e transformação social.

A continuidade desse processo aponta para um movimento cada vez mais articulado, estratégico e comprometido com a construção de um futuro em que mulheres negras tenham seus direitos garantidos e suas vidas plenamente valorizadas.

 

Pery Camilo – ABAYOMI PB

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