
Durante a última semana, a ABAYOMI – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba apresentou em suas redes sociais uma série de conteúdos sobre a importância do autocuidado e do cuidado coletivo, e contou com as contribuições de mulheres negras ativistas de referência na luta contra o racismo.
Refletimos que autocuidado e cuidado coletivo são muito mais que rituais pessoais ou comportamentos afetivos. Para as mulheres negras, essas ideias fazem parte da estratégia e da luta política contra o racismo patriarcal e todas as outras formas de opressão que atravessam os nossos corpos. Dessa forma, falar sobre cuidar de si mesma e cuidar umas das outras é reafirmar um projeto de vida, um projeto de reparação e bem viver.
Como a escritora e pensadora feminista bell hooks afirmou: “Uma das maneiras mais vitais de nos sustentarmos é construindo comunidades de resistência, lugares onde sabemos que não estamos sozinhos.” Essa ideia inspira as mulheres negras a reconstruírem o cuidado como resistência.
Negligenciar o autocuidado gera resultados que impactam negativa e significativamente a vida das mulheres negras, e as causas são sempre externas. O estresse diário no trabalho, no lar e na comunidade geralmente deixa pouco tempo para o autocuidado, um caminho que provoca doenças crônicas, sofrimento psicológico e solidão, como afirma a psicóloga negra e ativista Hidelvânia Macedo.
O autocuidado não se trata apenas de dedicar tempo para si mesma, mas de transformar esse cuidado em uma arma de luta, permitindo que outras mulheres criem espaço onde também possam tomar o poder para se fortalecerem.
“O autocuidado das mulheres negras vai além de práticas individuais: é também político e coletivo. A ausência dele impacta na autoestima, autodeterminação, insurgências, afetos e no autoamor”, reiterou Hildevânia Macedo.
O cuidado coletivo é uma prática ancestral e um ato fundamental para as mulheres negras. É mais do que apoio individual, é um pacto comunitário, como observa Terlúcia Silva, co-fundadora da ABAYOMI/PB, e diretora de Proteção de Direitos, do Ministério das Mulheres:
“O cuidado coletivo traz uma perspectiva ampla que vai para além da ideia individualista de autocuidado. E pensar em um movimento que fazemos pra gente, mas pensando nas pessoas com quem convivemos e nos relacionamos. (…) Muitas vezes a saúde física e mental de um grupo é impactada pelas ações individualistas de uma pessoa. A grande estratégia do cuidado coletivo é superar a visão estereotipada do autocuidado com uma perspectiva individualista”, disse a ativista.
O aspecto coletivo reforça os ideais que a comunidade negra sempre se esforçou para manter em seu ambiente comunitário, que abraçou a responsabilidade conjunta e o enfrentamento coletivo da desigualdade estrutural.
“Autocuidado é resistência” e une a dedicação das mulheres negras à sua própria sobrevivência e à luta contínua do coletivo. Ao priorizar o cuidado, individual e coletivamente, afirmamos que podemos e devemos viver bem.
E assim seguimos, unidas, rumo à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, uma ferramenta de incidência política, que vai reunir mais de 1 milhão de mulheres negras nas ruas de Brasília, no dia 25 de novembro, para ecoar nossas vozes dizendo que nossas vidas importam, e que exigimos um futuro de dignidade, justiça e liberdade.
Confira todo conteúdo sobre autocuidado e cuidado coletivo no nosso Instagram: https://www.instagram.com/abayomipb?igsh=MTl1MDJ4bDUwdGJpMA%3D%3D&utm_source=qr
Pery Camilo/ ABAYOMI – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba