Entre as que vieram e as que virão

_Há algo diferente quando a gente chega aos dez anos._


A oitava edição do Buyìn Dudu me trouxe essa sensação desde o primeiro momento. Não foi apenas mais uma edição da nossa honraria. Havia uma energia particular, como se toda a caminhada da ABAYOMI PB estivesse ali, reunida naquele encontro: as mulheres que abriram caminhos, as que caminham conosco e aquelas que ainda virão.

Talvez seja isso que tornou essa edição tão preciosa.

O Buyìn Dudu nasceu como um espaço de reconhecimento. Mas, ao longo dos anos, ele também se tornou um lugar de construção de memória. Em uma sociedade que tantas vezes apaga as histórias das mulheres negras, nomeá-las, celebrá-las e reconhecer suas trajetórias é um ato político.

Nesta oitava edição, isso ganhou um significado ainda maior. Porque celebrar mulheres negras depois de dez anos de ABAYOMI é também olhar para a nossa própria história.

Dez anos não são apenas uma marca no calendário. São uma década de encontros, aprendizados, enfrentamentos, afetos e construção coletiva. São muitas mulheres que passaram por essa caminhada e deixaram suas marcas. É uma história feita por muitas mãos.

E talvez a maior beleza do Buyìn Dudu tenha sido justamente nos lembrar de que essa história não termina em nós.

Se olhar para quem veio antes é fundamental, olhar para quem está chegando também é.


É nesse sentido que o projeto Abayomirins ocupa um lugar tão simbólico neste momento da nossa trajetória. Ao criar um espaço de formação para meninas e adolescentes negras, a ABAYOMI PB reafirma que cuidar do presente também significa disputar o futuro.

 

Queremos que essas meninas cresçam sabendo que suas histórias importam e suas vozes têm lugar. Que elas podem criar, ocupar, liderar e transformar.

Se o Buyìn Dudu nos convida a olhar para as mulheres que construíram caminhos, o Abayomirins nos provoca a perguntar: que caminhos estamos construindo para as próximas?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes para uma organização que chega aos dez anos.

Porque não queremos apenas preservar uma história. Queremos que ela continue sendo escrita e recontada.

Por isso, saio desta oitava edição do Buyìn Dudu com uma sensação de gratidão, mas também de compromisso. Gratidão por todas as mulheres que nos trouxeram até aqui. Compromisso com aquelas que virão depois de nós.

Entre as que vieram e as que virão, existe a ABAYOMI PB .

Uma organização que celebra sua memória, reconhece suas raízes e, ao mesmo tempo, abre espaço para novos sonhos.

E talvez seja esse o sentido mais bonito de completar dez anos: perceber que construímos uma história forte o suficiente para ser memória, mas viva o bastante para continuar sendo futuro.

Por Thaís Vital

ABAYOMI-PB

Compartilhar
Compartilhar
Compartilhar
Telegram
E-mail